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Empresário morto em túnel dizia que jamais reagiria a assalto

Rubens Mesquita foi baleado e morto após ser abordado por criminosos em Vila Isabel nesta sexta-feira.

O empresário Rubens Mesquita Pinto Alves, de 45 anos, morto após ser atingido por um tiro em uma tentativa de assalto na manhã desta sexta-feira, disse recentemente a amigos que não reagiria caso algum dia fosse abordado por criminosos. A conversa aconteceu em um churrasco no último domingo, apenas cinco dias antes de Rubens ser baleado dentro do Túnel Noel Rosa, em Vila Isabel, na Zona Norte.

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Amigo e sócio de Rubens na empresa Energybill,  Sérgio Coubuci, de 54 anos, acompanhou o episódio:

— Estávamos conversando sobre a violência no Rio e o receio de ser assaltado. Ele disse: ‘Está aí uma coisa que eu não tenho: medo de ser assaltado. Se algum bandido me apontar uma arma, a primeira coisa que eu vou fazer é levantar as mãos. Deixo levarem tudo, depois compro tudo de novo’. Quando me ligaram hoje não quis acreditar — conta Sérgio, que acredita na possibilidade de ele ter sido baleado ao tentar tirar o cinto de segurança.

Rubens é definido por amigos e familiares como um homem de bem com a vida, sempre com um sorriso no rosto e com um coração enorme. Pai de seis filhos, sendo dois biológicos e quatro filhos do primeiro casamento da viúva, Cláudia da Cunha Ferreira, Rubens morou a vida inteira na Rua Desembargador Izidro, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, bairro onde também moram, até hoje, os pais dele, Alice Maria e José Carlos.

As fotos dele sempre sorrindo em seu perfil nas redes sociais confirmam o bom astral. Ele começou a trabalhar ajudando o pai em duas distribuidoras de alimentos no Ceasa, em Irajá, também na Zona Norte. Era para lá que Rubens estava indo nesta sexta-feira, quando foi baleado. Ele era o primeiro filho do casal e tinha três irmãos mais novos. Nem mesmo após ser baleado ele deixou de pensar nas pessoas próximas a ele.

— Os primeiros policiais militares que chegaram no local contam que ele pediu para não morrer, disse aos bombeiros que queria ser salvo, pois tinham muitas pessoas que dependiam dele, que ele não podia morrer. Infelizmente perdemos esse cara incrível – disse o amigo.

Flamenguista, o empresário adorava futebol e reunir os amigos para um churrasco aos fins de semana. Os amigos o consideravam “um cara ímpar”. Ele e Sérgio passaram a última quarta-feira juntos, quando comemoraram o fechamento de um novo contrato, e se falaram por mensagens até a noite do dia anterior ao crime.

— Ele brincava com todo mundo. Tinha sempre um sorriso no rosto. Logo cedo já estava feliz da vida, mandando mensagem para os amigos. Várias vezes me chamava para tomar café da manhã com ele e a família. Ele estava super feliz porque as coisas estavam dando certo na vida dele. Só coisas boas vinham acontecendo — diz Sérgio.

A abordagem dos bandidos — que estavam num carro prata — a Rubens ocorreu na pista sentido Méier do túnel. De acordo com informações do 6º BPM (Tijuca), Rubens foi baleado no carro e saiu correndo, caindo cerca de 20 metros depois. Uma equipe da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital foi acionada para fazer a perícia no local.

Ele ainda foi socorrido e levado para o Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, também na Zona Norte, mas não resistiu aos ferimentos. Alice Maria Mesquita, mãe de Rubens, e a viúva passaram mal ao saber da morte e tiveram que ser atendidas no Salgado Filho. Após receber alta, Cláudia foi consolada por amigos e familiares.

— Ele foi embora, meu marido se foi. E agora? — repetia ela, sem parar.


Fonte: Jornal O Globo 

 

 

 

 

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