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Homicídios explodem na Região dos Lagos e ultrapassa a da Baixada Fluminense

Ação do tráfico impulsiona assassinatos. 

Sete municípios da Região dos Lagos são atendidos por uma única unidade da PM: o 25º BPM (Cabo Frio). Comandante do batalhão há exatos dois anos, o coronel André Henrique Oliveira da Silva credita sobretudo à disputa entre facções rivais o número de homicídios em sua área de atuação.

Famosa pelo turismo e pelas belas praias, a Região dos Lagos também se destacou, em 2017, por uma característica nada atraente. Quatro das sete cidades da chamada Costa do Sol figuraram entre as dez com piores taxas de homicídio do estado, como mostra um levantamento feito pelo EXTRA com base em números do Instituto de Segurança Pública (ISP). A escalada na violência é tanta que, pelo terceiro ano consecutivo, a região registrou mais assassinatos para cada cem mil habitantes do que a Baixada Fluminense, tida como uma das áreas mais inseguras do Rio.

Apesar dos esforços da polícia, o quadro é crescente desde 2014.

Em sua chegada a região em 2015, o comandante do 25º BPM, Tenente Coronel Henrique, declara que tem feito um trabalho forte no combate ao tráfico, no sentido de retirar armas desses criminosos. “Viramos o segundo semestre do ano passado com 31 casos a menos de letalidade violenta do que a meta de 194 diante de 2016. O batalhão colocou atrás das grades, em 2017, 1.580 adultos e 447 menores. Além disso, foram apreendidos 635 quilos de droga ao longo do ano.”

Em 2014, os números já apontavam a elevação nos índices de homicídios na região.  Entre os 80 municípios escolhidos para participar do Pacto Nacional pela Redução de Homicídios, o Rio de Janeiro contava com oito: além da capital, Belford Roxo, Cabo Frio, Campos de Goytacazes, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São Gonçalo e São João de Meriti. A taxa de Cabo Frio foi apontada como “altíssima” pelo estudo: 67,5 assassinatos por 100 mil habitantes.

Taxa de homicídios (por 100 mil hab.) em 2014 nas cidades do Rio de Janeiro selecionadas para receber o Pacto Nacional pela Redução de Homicídios:

Rio de Janeiro: 18,0

São João de Meriti: 40,2

Belford Roxo-RJ: 43,6

Campos dos Goytacazes: 44,1

Duque de Caxias: 48,4

Nova Iguaçu: 58,3

Cabo Frio: 67,5

Em 2016, 2015 e 2014, até onde é possível chegar com os dados mais antigos separados por município disponibilizados pelo ISP, apenas duas cidades da Região dos Lagos apareceram nesse indesejado top 10: Cabo Frio, todas as vezes, acompanhada em duas ocasiões por Araruama e, em uma, por Búzios. No ano passado, considerando as estatísticas até novembro, o trio ganhou a companhia de Arraial do Cabo, terceira colocada de todo o estado no quesito taxa de homicídios.

De acordo com a Polícia Civil, cerca de 50% dos assassinatos ocorridos no interior do estado são registrados na área a ser atendida pela nova DH. O previsto, porém, é que a especializada abranja apenas três cidades da Costa do Sol: Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios, que somadas correspondem a pouco mais de 45% da população total da Região dos Lagos.

Uma arma por dia

Estatísticas internas do 25º BPM apontam que, entre armas e simulacros, o batalhão fez mais de uma apreensão diária no ano passado. Foram 276 armamentos reais, incluindo dois fuzis, e 99 réplicas recuperadas no período.

 

Duas mil detenções

A soma de prisões e apreensões de adolescentes, mais de cinco por dia, também impressiona. O batalhão colocou atrás das grades, em 2017, 1.580 adultos e 447 menores. Além disso, foram apreendidos 635 quilos de droga ao longo do ano.

Veja, abaixo, a íntegra da resposta enviada pela Polícia Militar

A elevação das taxas de homicídios em cidades da Região dos Lagos, assim como em outras áreas turísticas do estado, está relacionada à estruturação do tráfico de drogas. Qualquer ocupação de território para prática ilícita ocorre de forma violenta, resultando em mortes.

De acordo com o Comandante do 25º BPM (Cabo Frio), Coronel André Henrique de Oliveira Silva, mais de 90% dos homicídios ocorridos nas cidades sob sua jurisdição têm relação com a disputa por pontos de venda de drogas. Hoje, na região, há duas facções criminosas disputando território. Para ilustrar o cenário, vale lembrar que em 2017 foram aprendidas 276 armas de fogo, entre as quais dois fuzis, e foram efetuadas 1580 prisões de criminosos e 447 apreensões de menores envolvidos em atos violentos.

Apesar dessa constatação – cuja reversão não depende apenas da Polícia Militar – houve uma queda na taxa de homicídios entre 2016 e 2017 de 16% na AISP 25. A redução dos indicadores de letalidade violenta é reflexo do trabalho contínuo e cada vez mais integrado com a Polícia Civil.”

Vale lembrar que os índices de aumento populacional na região dos Lagos, cresce de maneira avassaladora, agravados nas ocasiões de férias e festas de final de ano e próximos ao Carnaval, onde milhares de pessoas se deslocam de todas as partes do estado e do território brasileiro para curtir o verão. Época em que os índices de criminalidade acompanham a intensa movimentação nas cidades da costa do Sol, mantendo o mesmo efetivo do 25º BPM, que cobre a maiorias das cidades da região.

O comando da Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar do Rio de Janeiro, deve estar atentos aos problemas que envolvem a região e dirigir políticas de segurança em atenção a uma das maiores áreas de turismo de nosso estado, evitando comprometer mais uma fonte de economia positiva e atrativa para o estado.


Magé|Onlne.com – Fonte: Jornal Extra 

 

 

 

 

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