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‘Compro até fiado aqui em Guapimirim’, diz Elizângela

Atriz que está no ar em ‘A Força do Querer’ é a entrevistada desse domingo.

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Elisângela, a Aurora de ‘A Força do Querer’, leva uma vida pacata em Guapimirim, cidade que escolheu para morar há três anos. A atriz concedeu entrevista à esta coluna sentada na varanda de sua casa, ouvindo o canto dos pássaros. E ela, que em julho ficou presa em meio a um tiroteio na Linha Vermelha, não pretende retornar ao Rio.

“Conheço muita gente em Guapimirim. Compro fiado aqui”. De origem humilde, Elizângela é filha de pais separados e viu Aurora cair no gosto popular. Sua mãe trabalhou como manicure e doceira para criar as três filhas sozinha, contando apenas com uma pequena pensão do ex-marido. “Eu gosto do povo. Sou uma pessoa que não vim de berço de ouro. Minhas raízes são pobres. Eu entendo o olhar das pessoas e percebo os sentimentos delas”.

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O que Aurora tem de você?

Um coração um tanto mole demais. Não consegue às vezes tomar uma atitude mais dura. É complicado. Eu tive dificuldade de fazer a cena em que a Aurora dá uma coça na Bibi (Juliana Paes) na prisão.
Se fosse a sua filha, você agiria diferente da Aurora?

Eu não sei. É muito difícil avaliar isso. Não dá pra julgar porque a gente não está na pele da pessoa. 
O que você ouve nas ruas?

As pessoas pedem pra eu dar uma coça na Bibi. Eu respondo que já dei e elas dizem que é pra eu dar outra coça! (risos)

Teve uma cena em que Aurora falou para Bibi que ela não deveria ir visitar o Rubinho (Emílio Dantas) no presídio porque era muita humilhação…
Eu não fui ao presídio, mas eu fui buscar informações. Fiquei passada em saber o que acontece quando a pessoa vai visitar… Toda a comida é revirada. Fora que tem que fazer um exame físico para a pessoa entrar. Tudo é humilhante demais. Por outro lado, sei que é necessário. Mesmo com toda a revista, a gente vê que entram drogas e celulares… Imagina se não fizer? Como diria a minha avó: coração do outro é terra que ninguém anda…

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Você já foi considerada símbolo sexual, mas nunca posou nua. Por que você recusou?

Naquela época os cachês eram muito altos!
Acho que mesmo pagando muito bem, era pouco. Na época, diziam que era muito dinheiro, mas eu não achava isso tudo. Só se fosse alguma coisa que me desse uma independência financeira. Eu morava em prédio, imaginava passar pelo porteiro e ele sabendo como é que eu sou… O jornaleiro… Ia me sentir nua! Não tenho cabeça pra isso não. Sou muito reservada nessa questão. Não me sentia à vontade para fazer. Se fosse uma proposta absolutamente tentadora, para me dar a independência financeira, eu iria. Agora, só pra comprar um apartamento? Ah, não quero não!

Hoje você mora em Guapimirim. Por que resolveu sair do Rio?

Eu morava no Recreio e acabaram com o bairro quando começaram a construir um viaduto enorme. Jogaram um monte de trânsito para dentro do bairro… Aí eu decidi ir embora. Aquilo me incomodava muito. Morar em prédio é complicado e começaram a subir vários prédios ali. Uma vez eu estava no elevador, saindo de casa, quando entrou outro morador. Ele perguntou se não me incomodava o barulho dos pássaros que eram criados em gaiolas no apartamento vizinho ao nosso. Não concordo com passarinho em gaiola, mas paciência. Mas ele reclamava do canto do passarinho! Então eu falei: ah, vou procurar uma casa para mim! Não quero dividir minha energia com esse tipo de gente não. Foi aí que comecei a procurar uma casa e me mudei pra esse cantinho do céu.

Você já sofreu alguma violência no Rio?

Houve aquele episódio na Linha Vermelha (noticiado aqui) em que eu levei o maior susto ao me ver presa em um tiroteio. É muito desagradável ter que se esconder atrás de um ônibus porque bala não tem endereço. E olha que eu nem estava pertinho do tiroteio! Mas é muito assustador. Só vou para o Rio para trabalhar ou quando tenho algo muito importante a fazer. A violência assusta muito. Amo a minha cidade, mas não consigo mais morar no Rio não.

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Como foi gravar na comunidade Tavares Bastos?

É uma comunidade muito tranquila, sem tráfico. Quando eu fui já era na última fase da novela e os moradores estavam mais do que acostumados em ver a gente lá.

Você tem 52 anos de carreira e seus personagens sempre foram mais populares. Você é popular?

Acho que sim. Eu gosto do povo. Gosto de conversar. Aqui em Guapimirim, eu conheço muita gente. Moro aqui há 3 anos. Já compro fiado aqui em Guapimirim (risos). Conheço o rapaz da padaria, a menina do mercado… Eu gosto desse contato. Sou uma pessoa que não vim de berço de ouro. Minhas raízes são pobres. Eu entendo o olhar das pessoas. Percebo os sentimentos delas. 
Que personagem você gostaria de fazer?

Nunca fiz uma mulher má. Gostaria de fazer uma vilã.
Que fim você gostaria que a Bibi tivesse?

Eu gostaria que a Bibi fosse presa e julgada pelo incêndio do restaurante em que Rubinho trabalhava. Gostaria que ela tivesse uma pena de acordo com o crime que ela cometeu. Ela ia cumprir um terço da pena e sair por bom comportamento, mas acho que seria a redenção dela. Então ela sairia e poderia terminar com o Caio (Rodrigo Lombardi). E eles tinham que sair do país porque não dá para ficar no Brasil com o passado dela. Acho que a Aurora ficaria muito feliz (risos). 

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Você está solteira?

Estou feliz e solteira. Cercada de amigos e alguns familiares que se mudaram pra cá. Vieram para Guapimirim por minha causa. Estou cercada de pessoas que me querem bem. Não existe ninguém sozinho. Convivo muito bem comigo mesma. 
O que te tira o bom humor?

Acordar com o barulho. Essa era uma coisa que me incomodava quando eu morava aí no Rio. Barulho de gente gritando, de rádio alto, música alta, falatório de manhã… Eu sou uma pessoa que acorda devagar.

Você é vaidosa?

Sou, mas já fui mais. Fiz lifting há uns 15 anos. 
Que balanço você faz da sua carreira?

Gosto do que eu vejo, do que eu fiz. Fico feliz olhando para trás, mas ainda tem muitas coisas que ainda não fiz, como uma personagem mal-caráter.
Aurora sempre desconfiou de Rubinho. Mãe tem sexto sentido?

Ah, a gente tem sim. A mãe sempre sabe (risos). Dizer que mãe sabe tudo é um pouco de exagero, mas eu acho que mãe tem sexto sentido em relação a filho.

Se você fosse a Aurora você protegeria a Bibi ou a entregaria para a polícia?

Eu não sei se teria coragem de entregar minha filha não. E ela não entregou a Bibi. Entregou o genro. Não era para a Bibi estar no morro. Estou doida pra ver a cena do Rubinho sendo preso de novo. 

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Qual foi a cena de maior emoção até agora?

A primeira vez que ela vai pro morro. Tenho uma foto dessa cena no Instagram. Gostaria até de ter essa foto comigo em papel. Também teve a da coça que Aurora deu em Bibi na cadeia e a cena em que a Bibi leva o Dedé embora. São uterinas.

Você usa muito as redes sociais?

Não… Fiz o meu perfil no Instagram há uns dois meses. Tenho Facebook há muito tempo. Fiz mais para falar com fãs.
O que você vai fazer quando a novela acabar?

Férias!

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E quando a gente te vê na TV de novo?

Ah, espero que em breve… Tem uns projetos, mas eu não posso falar ainda porque não estão confirmados.

Como você gostaria que fosse o fim da Aurora?

Eu espero que a Aurora tenha um final bonito nessa novela. Queria que ela arranjasse um parceiro legal. Alguém podia apresentar um homem bacana pra ela. Uma pessoa de um ambiente diferente do dela. Ela já sofreu muito. Esse tempo todo ela ficou focada na filha. Nem costurar a Aurora costura mais. No momento em que a situação da Bibi se resolver, seja lá de que forma for, gostaria que ela entrasse em uma fase positiva da vida.

REDEFonte: O Dia/Dilma Beck

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